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Perceberam-se as diferenças entre Costa e Rio após debate intenso


Foi um debate muito intenso. Sem ofensas mútuas, mas fortemente marcado pelas diferenças de programa de governação entre PS e PSD. No confronto de ontem entre António Costa e Rui Rio, nos três canais de sinal aberto ao mesmo tempo, ficaram claras as diferenças sobre o modelo económico para o país, a fiscalidade, a saúde, a Justiça e a TAP. Temas que provocara fricção entre os dois candidatos a primeiro-ministro, no debate mais importante desta pré-campanha eleitoral para as legislativas de 30 de janeiro.

O Cineteatro Capitólio, em Lisboa, foi o palco do frente a frente moderado por Clara de Sousa (SIC), José Adelino Faria (RTP1) e Sara Pinto (TVI/CNN). Rui Rio, confrontado com a acusação de que passou dois anos a apoiar o Governo, lançou o mote do debate: «Fizemos uma oposição civilizada mas agora é tempo de marcarmos a diferença.»

António Costa também trazia frases estudadas. Como a de que «O país precisava de tudo menos desta crise», acusando Rio «de se preocupar muito com os números» e de se ter tornado «insensível às pessoas».

O debate arrancou pela questão da governabilidade pós-eleições. O líder social-democrata reiterou a ideia de que Costa partia em «desvantagem» porque «não é claro em relação aos cenários políticos.», tanto mais que «a probabilidade de termos maioria absoluta é próxima de zero». «Não tem condições de reeditar a geringonça», garantiu e admitiu a possibilidade que mesmo que o PS ganhe sem maioria poderá haver outro primeiro-ministro que não Costa, provavelmente Pedro Nuno Santos. E com Pedro Nuno Santos «teremos o BE dentro do Governo.»

O secretário-geral do PS acabou por ir ao ponto e, sem apelo nem agravo, rejeitou a reedição da geringonça, ou seja um acordo parlamentar com PCP e BE. António Costa quis desfazer o tabu de que o acusavam sobre o pós 30 de janeiro. «O resultado desejável é uma maioria do PS», insistiu. Se o PSD ganhar, «arrumo os papéis e dou a chave ao DR. Rui Rio», assegurou. Mas se o PS tiver maioria relativa, «não viro as costas aos portugueses» e «teremos de conversar na Assembleia da República».

Costa abriu duas possibilidades de governação em minoria: ou ao estilo de António Guterres, que negociava diploma a diploma no Parlamento; ou com o apoio do PAN. «Não me esqueço que o PAN não contribuiu para esta crise.» Nunca mencionou o Livre de Rui Tavares, que se disponibilizou no caso de ser eleito para esse entendimento.



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